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For PAPO DE EDITORA

Top 5 – Os piores vilões

Depois de criar uma lista sobre as cinco protagonistas femininas mais incríveis, resolvemos criar uma antítese e listar os cinco piores vilões da literatura mundial. Em quase toda história há o personagem com um bom caráter, que se preocupa com os sentimentos dos outros e há também o seu oposto, seu antagonista, aquele que age de maneira cruel e implacável.

Listamos os mais cruéis de todos os tempos (segundo votação da nossa equipe).

diabo2-thumb-800x973-77192        1º lugar – Mefistófeles (Fausto) – Fausto negocia com Mefistófeles viver por vinte e quatro anos sem envelhecer, mas para que isso aconteça, ele entrega sua alma a Mefistófeles. Fausto conhece o amor de Margarida e decide então que não quer mais ir para o inferno, porém Mefistófeles é implacável com o jovem doutor.

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2º lugar – Professor Moriarty (O Problema Final – Contos) – Ele é o antagonista do detetive Sherlock Holmes. O único que talvez tenha uma inteligência que chegue perto da de Holmes ou até mesmo que a supere. Professor Moriarty está por trás de todos os grandes crimes de Londres sem ao menos ter seu nome vinculado a eles. Moriarty chega a tramar a morte de Holmes.

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3º lugar – Javert (Os miseráveis) – É um personagem metódico e racionalista. Cego pela lei e pela ordem é um homem incapaz de demonstrar qualquer compaixão. Javert é o responsável por infernizar a vida do ex-condenado Jean Valjean. 

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4º lugar – Juliana (O primo Basílio) – Ela é a criada da casa de Luísa e é, talvez, a mais complexa personagem da obra de Eça de Queirós. Juliana é uma mulher magra, feia e solteirona que se vê desesperada ao perceber que nuca deixará de ser empregada. Com todo esse amargor gerado por sua condição, Juliana inferniza a vida de Luísa quando descobre que ela trai o marido. As chantagens e malvadezas de Juliana são tão grandes que nos fazem ter dó da pobre Luísa.

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5º lugar – Shere Khan (Mowgli) – É um tigre de bengala que tenta matar Mowgli. A motivação de Khan é clara: ele quer matar Mowgli para que ele não cresça e vire um caçador, ameaçando sua vida na floresta, além, é claro, de querer se deliciar com Mowgli como prato principal. O que faz de Khan um vilão perfeito é a sua calma, ele trata a caçada como algo esportivo, o que não deixa de ser cruel.

Top 5 – Incríveis protagonistas femininas

A literatura mundial é recheada de personagens incríveis! E eles estão presentes em todas as épocas desde que o homem desenvolveu a capacidade de escrever.  Podemos citar vários exemplos aqui, como Odisseu de Homero, Candido de Voltaire, Peter Pan de J. M. Barrie entre muitos outros.

Neste post, resolvemos fazer um passeio pela literatura mundial através das cinco protagonistas mais fortes do nosso catálogo. É claro que nossa lista foi baseada na opinião de nossa esquipe, o que não significa que não há mais que cinco, ou outros nomes de personagens maravilhosas que poderiam fazer parte dessa relação.

 

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Lady Macbeth (A tragédia de Macbeth) – é uma das personagens principais na tragédia de Shakespeare, esposa do nobre escocês Macbeth. Uma mulher forte, poderosa e persuasiva, Lady Macbeth convence seu esposo a matar o rei Ducan, o então rei da Escócia, e desta forma ela e seu marido assumem o reinado.

 

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Margaret Hale (Norte e Sul) – Embora tenha sido criada para ser uma dama perfeita, Margareth sonha em viver nos campos, sob o céu azul. Porém ela é forçada a se mudar do sul campestre para o norte industrializado e lá vê as mazelas das fábricas e de seus trabalhadores, reflexos da Revolução Industrial. Elizabeth é solidaria a condição desses homens e mulheres. Além de se tornar amigas deles, ela assume o papel de mediadora entre o dono da fábrica e essas pessoas sofridas.

 

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Capitu (Dom Casmurro) – Uma mulher forte e nas palavras de seu próprio ex-marido, Bentinho, possuía “olhos de ressaca” que o tragavam. Durante boa parte da obra de Machado de Assis, Capitu é acusada de adultério por Bento, que também é o narrador da obra, o que deixa claro para o leitor que a realidade da história será pautada pela visão dele. Capitu é uma personagem forte e envolvente. Passa todas as criminações de Bento de cabeça erguida e após o ápice da loucura de seu ex-marido, Capitu cria sozinha seu único filho.

 

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Elizabeth Bennet (Orgulho e preconceito) – Uma moça ousada, inteligente e firme em suas convicções. Lizzy é capaz de recusar um casamento com o herdeiro de todos os bens da família por simplesmente não amá-lo (além do fato de o jovem Mr. Collins ser um perfeito tolo). Ela só aceita casar-se com Mr. Darcy quando vê nele um homem justo e integro, e não o esnobe que ele aparentava ser.

 

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Jane Eyre (Jane Eyre) – Esta personagem de Charlotte Brontë é a personificação da mulher independente. Apesar da infância difícil e dos muitos desafios que enfrenta em sua vida adulta como governanta, sem contar o relacionamento altamente conturbado com seu empregador, o Sr. Rochester, Jane mostra que as mulheres da época eram capazes de trabalhar, sonhar e ter uma vida digna, com ou sem marido.

Parabéns, Jane!!

Hoje é um dia muito especial para o universo da literatura. Nossa querida Jane Austen faz aniversário!!! E para comemorar, vamos falar um pouquinho sobre sua biografia.

Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, uma cidade do condado de Hampshire, na Inglaterra. Ela foi a sétima filha do sacerdote George Austen e Cassandra Leigh. Ao todo a família Austen teve oito filhos, seis meninos e duas meninas, Jane e Cassandra, da qual ela era muito íntima. O retrato mais conhecido de Jane, que se encontra na Galeria Nacional de Arte, em Londres, foi feito por Cassandra. A família Austen possuía uma vasta biblioteca e isso influenciou a pequena Jane, que cresceu apaixonada pela literatura.

Em 1800, George Austen decidiu mudar-se com sua família para Bath e, embora Jane não apreciasse muito o local, foi nessa época que ela conheceu um homem que teria sido seu namorado, porém este moço veio a falecer repentinamente. Especula-se que tal fato possa ter afetado Austen, e muitos consideram este breve namoro como inspiração para a obra Persuasão.

Em 1805, o pai de Jane veio a falecer e isso deixou a família em apuros. Ela, sua mãe e irmã tiveram que se mudar para Chawton, onde seu irmão possuía uma propriedade.

Seu primeiro livro foi escrito quando tinha 17 anos, um romance chamado Lady Susan, e que mais parecia uma paródia do estilo sentimental de Samuel Richardson.

O seu segundo livro, Orgulho e Preconceito tornou-se sua obra mais conhecida, embora, inicialmente, tenha sido rejeitada pelos editores. Jane conseguiu publicar o romance Razão e Sensibilidade, cujo sucesso fez com que a editora publicasse livros anteriores de Jane, que haviam sido recusados. Os sucessos não pararam e vieram mais livros como Mansfield Park e Emma, com um estilo menos ágil e mais humorístico, sem perder a típica ironia austeniana.

Jane Austen faleceu em Winchester, um ano antes de serem publicadas suas grandes obras Persuasão e A abadia de Northanger. Seu poder de observação do cotidiano forneceu-lhe material suficiente para dar vida às suas personagens fortes, mulher determinadas e diferentes de seu meio. A crítica a considera a primeira romancista moderna da literatura inglesa.

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Mark Twain

Seu nome verdadeiro era Samuel Langhorne Clemens, mas ficou conhecido mesmo pelo pseudônimo de Mark Twain. Foi um grande escritor norte-americano e tornou-se famoso com dois romances: As aventuras de Tom Sawyer e a sua sequência As aventuras de Huckleberry Finn.

O nome Mark Twain foi retirado de um termo usado por barqueiros, que significa “duas marcas” na verificação da profundidade de rios.

Suas duas grandes obras marcaram a geração de 1870 americana. As aventuras de Tom Sawyer narra a história de Tom, um menino órfão que mora com sua tia Polly. Nesta obra Mark Twain utiliza o olhar ingênuo de uma criança para denunciar os preconceitos e a hipocrisia da sociedade. As aventuras de Huckleberry Finn surge como uma sequência, Huckleberry Finn, amigo de Tom Sawyer, vive inúmeras aventuras em uma balsa que vai pelo rio Mississipi. Este romance é considerado o marco fundador da narrativa americana, e foi um dos primeiros a registrar a fala comum de pessoas simples.

Para os fãs desse grande escritor, é possível visitar um museu todinho em sua homenagem. O local do museu é a casa onde Twain e sua esposa viveram de 1874 a 1891 (em 1891 Mark teve que vender sua casa por motivos econômicos) e fica localizada em Hartford, capital do estado de Connecticut. O museu possui visitas guiadas e embora nenhum dos objetos encontrados na casa tenham pertencido ao escritor, é possível se sentir na época em que Twain viveu, os ambientes foram recriados baseados em fotos e documentos que pertenceram a ele.

Para quem se interessar, o museu possui um site oficial contando um pouco de sua história: Mark Twain House

 

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Dostoiévski

Um dos maiores escritores russos de todos os tempos está no nosso catálogo! Fiódor Dostoiévski foi um grande romancista. Crime e Castigo, Diário do Subsolo, O Idiota e O Jogador são alguns de seus livros mais famosos e em sua maioria, relatam o cotidiano russo do século XVII.

A atualidade de seus romances se deve ao fato de Dostoiévski abordar o comportamento patológico dos seres humanos, a situação social e a realidade das camadas mais pobres da sociedade, tudo isso imerso em grandes tragédias humanas como assassinatos, loucuras e crimes.

Em Crime e Castigo, a vida do jovem Raskólnikov, um ex-estudante de direito e que vive pobre e angustiado, vira de cabeça para baixo quando ele mata uma agiota, de quem emprestava dinheiro. No romance, Dostoiévski relata os dramas psicológicos sofridos por Raskólnikov após o homicídio e a sua incapacidade de continuar sua vida após o delito.

Diário do Subsolo é considerada a primeira obra existencialista do mundo. Ela se desenvolve como um trecho das memórias de um empregado civil aposentado em São Petersburgo. A obra se divide em duas partes, a primeira “O Subterrâneo” e a segunda “A Propósito da Neve Derretida”. O personagem principal não revela seu nome ao leitor, ele vive amargo e isolado do mundo.

O Idiota traz o humanista e epilético Príncipe Míchkin, que é uma mistura de Dom Quixote com Cristo. Nesta obra Dostoiévski fala sobre o nacionalismo russo e o cristianismo eslavo.

Vale a pena se jogar nas obras desse grande autor. Suas temáticas, mesmo que do século XIX, se mantêm atuais até hoje.

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Encontre nossas edições nos links:

Crime e Castigo

Os Irmãos Karamázov

Robin Hood

Um dos nossos projetos mais legais e do qual nos orgulhamos muito é o nosso livro As aventuras de Robin Hood, escrito pelo consagrado ilustrador e escritor norte-americano Howard Pyle.

Pyle criou e ilustrou sua própria versão da balada medieval que conta a história de um fora-da-lei que, com a ajuda de seus amigos João Pequeno e Frei Tuck, roubava da nobreza para dar aos pobres na época do Rei Ricardo Coração de Leão. Robin Hood era hábil no arco e flecha e vivia na floresta de Sherwood. A lenda medieval diz que teria vivido no século XIII e ficou imortalizado como “Príncipe dos ladrões”. Figura ao lado de Rei Arthur como um dos maiores heróis da Inglaterra.

Robin Hood é um personagem tão adorado e intrigante que recebeu inúmeras adaptações cinematográficas ao longo dos anos. Aqui nós vamos comentar algumas das mais inesquecíveis.

Em 1973 a Walt Disnrobin-hood-disneyey produziu um filme/animação baseado na história de Robin Hood, porém, nessa adaptação o herói era “interpretado” por uma raposa e todos os personagens da trama também eram animais, João Pequeno, por exemplo, um urso, Frei Tuck um texugo.

Em 1991 veio a primeira adaptação do herói com um ator de peso: coube a robin-hood-kevin-costnerKevin Costner o papel principal. A trama era um pouco diferente da original. No enredo do filme, Robin de Locksley é um jovem cavaleiro que após retornar de uma Cruzada descobre que seu pai foi morto por capangas do xerife de Nottingham. O xerife é a favor do Príncipe João no poder. Porém, Robin se une a Azeem e um bando da floresta de Sherwood para planejar o retorno do nobre rei Ricardo Coração de Leão ao trono.

Robin-Hood_2260530cJá no ano de 1993 um filme comédia sobre a história de Robin foi lançado. Aqui no Brasil recebeu o nome de A Louca! Louca História de Robin Hood, e é uma sátira da lenda de Robin de Locksley. Ele e seus companheiros combatem o príncipe John e o xerife Nottingham.

Em 2010, Hcrowe-cate_1624721collywood tentou fazer uma nova versão da lenda e escalou Russel Crowe como Robin Hood e Cate Blanchett como Lady Marion, o interesse amoroso do herói. Essa versão é menos fiel se compararmos com a estrelada por Kevin Costner. No filme de Crowe, Robin Hood que não é o verdadeiro Robin de Locksley e sim um amigo dele que assumiu sua identidade após a morte do verdadeiro em uma batalha no início do filme.

Uma nova adaptação sobre Robin Hood está ganhando vida. Previsto para 2017, o longa contará a origem do herói.

IMG_2821As aventuras de Robin Hood
Autor: Howard Pyle
ISBN: 978-85-7232-960-6
Tradutor: Luiz Fernando Martins
Paginas: 309
Formato:16x23cm

Disponível na Amazon

Perrault

Charles Perrault foi um grande escritor e poeta francês do século XVII. Publicou inúmeras obras, mas ficou conhecido por sua coletânea de histórias infantis, Os contos da Mamãe Gansa, que foi publicada em 1697. Perrault criou os contos de fadas dessa coletânea para divertir seus filhos. Já os contos Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, O Gato de Botas e Barba Azul se tratavam de versões modernas de contos populares já esquecidos. Perrault, assim como os irmãos Grimm, os recriou a sua maneira.

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Nossa edição

Neste ano, lançamos uma coletânea de contos deste magnífico autor, Histórias ou contos de outrora. Trata-se de uma adaptação em prosa que o próprio autor fez dos Contos da Mamãe Gansa e de outras narrativas presentes no folclore francês.

As obras de Perrault ficaram muito conhecidas após as adaptações para o cinema dos estúdios Walt Disney. Porém o que poucos sabem, é que esses filmes lançados pela Disney são muito adaptados, a essência dos contos de Perrault está lá, mas as alterações são bem grandes, como até mesmo mudanças de finais.

Duas obras de Perrault se destacaram com adaptações da Disney, Bela adormecida e Cinderela (os contos originais se chamam A bela adormecida no bosque e Cinderela ou o sapatinho de vidro).

O final do conto Cinderela de Perrault é diferente do filme, nele suas meias-irmãs a reconhecem como a mais linda do baile e pedem perdão por todas as vezes que a maltrataram. Cinderela perdoa suas irmãs. Depois, com um lindo vestido, ela é levada ao príncipe, e eles se casam. Sendo tão bondosa, Cinderela convida as duas meias-irmãs a irem ao palácio para casá-las com dois fidalgos.A Bela Adormecida

Na versão da Disney, Cinderela é levada ao encontro do Príncipe e alguns dias depois se casam e vivem felizes para sempre.

As diferenças no conto da Bela Adormecida também são bem evidentes. No conto de Perrault, a bela fica adormecida por 100 anos; quem se chama Aurora é na verdade sua filha com o príncipe e, sua sogra, a rainha-mãe nutre uma grande raiva por ela.

A verdade é que não importa que versão você tenha visto ou lido, esse contos sempre fizeram parte do imaginário infantil e continuam encantando crianças e adultos em todo o mundo.

Bônus:

Malévola-MaleficentLançado em 2014, Malévola é um filme baseado no conto da Bela Adormecida, conta a história de Malévola, a protetora do reino dos Moors. Desde pequena, esta garota com chifres e asas mantém a paz entre dois reinos diferentes, até se apaixonar pelo garoto Stefan. Stefan trai Malévola por conta de seus próprios interesses. Malévola torna-se uma mulher vingativa e amarga e decide amaldiçoar a filha recém-nascida de Stefan, Aurora. Porém, aos poucos, Malévola começa a desenvolver sentimentos de amizade em relação à jovem e pura Aurora.

A Garota da Capa Vermelha, filme lançado em 2011, faz uma adaptação do conto Chapeuzinho Vermelhgarota-da-capa-vermelhao. Quando criança, Valerie era apaixonada por seu melhor amigo Peter. Depois de muito tempo, ainda no vilarejo de Daggerhorn, ela se vê apaixonada pelo lenhador em que ele se transformou. Porém, seus pais a prometeram um casamento com Henry, jovem ferreiro. Peter e Valerie planejam fugir, porém descobrem que a irmã dela foi morta por um lendário lobo que aterroriza a vila há anos. O padre Solomon é chamado para terminar com a ameaça e comunica então que o lobo é na realidade um dos habitantes do vilarejo. A garota então entra num dilema, pois desconfia que alguém que ela conheça seja a fera.

Alice no País das Maravilhas: Uma crítica à Inglaterra vitoriana

Embora muitos ainda considerem o livro Alice no País das Maravilhas infantil, ele não é apenas um livro para criança. (A verdade é que é muito difícil classificar um livro como para o público infantojuvenil ou para o público adulto, mas, na data de seu lançamento, seu público principal era o infantil, sem dúvida.) O que talvez a maioria das pessoas não saiba é o porquê desse livro ultrapassar a sua classificação inicial e ter se tornado um clássico da literatura mundial, mais apreciado a cada ano que passa, completando agora 150 anos.

A história de Alice sempre mCharles Dodgsone incomodou. Parecia que havia “algo mais” ali. Esse sentimento me levou a estudá-la, mostrando no meu trabalho de graduação que este livro tem uma mensagem que extrapola o significado da história aparentemente sem muito sentido, com coisas malucas e diálogos que não seguem a estrutura a qual estamos acostumados. Há muito mais em Alice do que uma primeira leitura possa mostrar. Os leitores que quiserem se deter na história narrada de uma menina entediada que vai atrás de um coelho branco e se envolve em uma aventura com personagens extraordinários encontrará em Alice um ótima escolha. Mas aqueles leitores que quiserem ir além das aparências e se aventurarem, de fato, num mundo que tem muito para contar sobre o ser humano e sua condição não se decepcionarão em nada com a história de Lewis Carroll.

Entender Alice é compreender a Inglaterra vitoriana. Em poucas palavras, podemos dizer que era uma época conservadora, de princípios morais rígidos, ao mesmo tempo em que era inovadora no campo tecnológico, o que levou à Revolução Industrial e a mudanças sociais com o aparecimento da burguesia. Nesse cenário, surgiu uma literatura com duas características principais: ou era pedagógica – no sentindo claro de ensinar uma lição ao seu público – ou era moralizante – no sentido de mostrar os problemas sociais que precisavam ser tratados. É desse período Charles Dickens, um dos autores mais importantes da prosa vitoriana, que, por meio de suas obras, criticou grande parte das instituições públicas da Inglaterra.

Olhando para a obra de Lewis Carroll percebemos que ela destoa do que estava sendo produzido por seus contemporâneos. Ela não apresenta nem o caráter pedagógico e muito menos o moralizante. É aí que encontramos a crítica de Carroll à sociedade de seu tempo – em seu livro, sua personagem é livre para escolher a aventura. Alice começa a história entediada; vai atrás do diferente, do interessante, presente no personagem do Coelho Branco (rompendo com os padrões esperados para as crianças vitorianas); enfrenta figuras que representam autoridade (como a Rainha de Copas); volta para a sua realidade e não é punida pela ousadia de se aventurar. Vale lembrar que na sociedade vitoriana a punição era uma realidade constante tanto para crianças quanto para adultos, que tinham um padrão moral puritano alto para ser seguido se quisessem ser cidadãos-modelo do Império Britânico. Esperava-se que a ousadia, o buscar o diferente, fosse punido.

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Lewis Carroll rompe o modelo de literatura praticado em seu tempo não só por meio da sua narrativa que quebra o padrão, como também usando o nonsense, uma crítica ao sentido único, ao racionalismo, àquilo que julgamos ser normal. Carroll nos faz questionar o padrão por meio da linguagem. Daquilo que parece o caos emerge um sentido possível, construído pelo leitor, não imposto a ele. O nonsense representa na linguagem a libertação da opressão de um discurso fixo, monótono, padrão. Além disso, Carroll faz o que era inimaginável para a sua época: uma crítica à Rainha Vitória. A Inglaterra já era uma monarquia parlamentarista, o que significa dizer que era (e ainda é) governada pelo primeiro-ministro e pelo parlamento, sendo a rainha uma figura representativa de poder. A rainha Vitória foi uma soberana muito popular, por isso esse período recebe o nome de vitorianismo. Portanto, fazer críticas diretas à rainha era algo impensável. Mas Carroll faz justamente isso por meio da figura Rainha de Copas, que, dentro do sistema “maluco” que é o País das Maravilhas, quase não tem poder de decisão, como a Rainha Vitória dentro da monarquia parlamentarista. Os seres mágicos a temem, mas as suas ordens de decapitação nunca são cumpridas. E a Rainha de Copas, em vários momentos da narrativa, é chamada apenas de rainha, reforçando a possibilidade de interpretação do termo “Rainha” como se referindo também à rainha Vitória.

Processed with VSCOcam with 6 presetAssim, podemos dizer que Alice não é uma obra escrita com o propósito de moralizar e manipular o leitor, levando-o a acreditar que certo padrão é correto e aceitável, ou que certas atitudes devem ser realizadas. Nesse ponto, notamos claramente a influência do nonsense, que subverte um sentido único e contesta a divisão do mundo em dois lados fixos, instaurando um sentido paralelo, que esconde, atrás da loucura e da irracionalidade, a sua crítica. Por fugir desse padrão moralizante e pedagógico, Alice no País das Maravilhas pode ser lido como uma crítica ao vitorianismo opressor, sendo o nonsense uma crítica à realidade rígida.

É no desvio do modelo e no estranhamento, que traz para o leitor uma nova possibilidade de mundo, que o livro de Carroll é um convite à reflexão. Entre você também nessa aventura e, junto com Alice, descubra um mundo muito mais complexo do que você imaginava!

 

Bruna Perrella Brito trabalha como preparadora de texto no departamento de Literatura Infantojuvenil e Projetos Especiais da editora FTD. É formada em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e cursa especialização em Educação Infantil.

Alice e seus 150 anos

IMG_2851Em julho deste ano a grande obra da literatura inglesa, Alice no país das maravilhas, completa 150 anos. Escrita por Charles Lutwidge Dodgson, que ficou conhecido com o pseudônimo Lewis Carroll (o pseudônimo foi criado seguindo uma ordem lógica, Charles traduziu o inglês “Charles Lutwidge” para o latim, formando Ludovicus Carolus e depois este para o inglês, criando Lewis Carroll), romancista, poeta, desenhista, fotógrafo, matemático e reverendo anglicano, um homem a frente de seu tempo. Com inteligência para o campo das humanas e das exatas, Lewis conseguiu dar aulas de matemática em Oxford e escrever as aventuras de Alice.

A história de Alice teve origem em 1862 quando Carroll passeava de barco pelo rio Tâmisa com sua pequena amiga Alice Pleasance Liddell e suas duas irmãs. As três meninas eram filhas do então reitor da Christ Church.

mHvlQPRW30bx8Lk3UxV6si7XYPSEm 1864, Carroll lança um manuscrito chamado As Aventuras de Alice Embaixo da Terra. E apenas mais tarde, quando decidiu publicá-lo em forma de livro, ele mudou a versão original, alterando o título, aumentando de 18 mil palavras para 35 mil e acrescentando cenas como a do Gato de Cheshire e do Chapeleiro. A obra tornou-se um grande sucesso e foi lida por Oscar Wilde, pela rainha Vitória e traduzida para mais de 50 idiomas.

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Cena de Alice au Pays des Merveilles

Esse fenômeno da literatura infanto-juvenil já ganhou inúmeras adaptações para o cinema, a primeira delas é de 1903 e foi dirigida por Cecil Hepworth e Percy Stow. O filme é mudo e em preto e branco, mas conta com alguns efeitos especiais. Em 1949 veio outro filme, uma versão francesa dirigida por Lou Bunin, Alice au pays des merveilles, no entanto, o lançamento dessa versão foi prejudicado, pois logo em seguida, em 1951, o grandioso estúdio Walt Disney Animation lançaria Alice in Wonderland. Essa animação não fez muito sucesso no ano de sua estreia, porém, na década de 1970, ela foi muito mais assistida por conta do seu conteúdo psicodélico. Em 1972, surge um musical, Alice’s Adventures in Wonderland, a produção britânica com 24 canções ganhou o prêmio de Melhor Fotografia no BAFTA Film Award. Em 1982, Meryl Streep estrelou outro musical, esse foi produzido especialmente para a TV e exibido pela NBC, a produção ganhou uma indicação ao prêmio Emmy. Após 1982, muitas outras adaptações surgiram, entre elas uma versão cult produzida na antiga Tchecoslováquia e uma série de TV criada pelo Disney Channel onde Alice é uma estudante que, ao chegar do colégio, atravessa um espelho e cai no País das Maravilhas.

Alice-no-Pais-das-MaravilhasApesar de todas essas adaptações, em 2010, nossa querida Alice ganhou um novo fôlego e novamente estava na tela do cinema. Uma adaptação dirigida por Tim Burton, estrelada por Johnny Depp no papel de Chapeleiro Maluco e a jovem Mia Wasikowska como uma Alice, que já crescida, retorna ao País das Maravilhas. Um filme visualmente lindo, a fotografia beira a perfeição e a maquiagem dos atores está impecável.

Nós lançamos, recentemente, um belíssimo exemplar com as duas principais obras de Lewis Carroll. Confira nos links abaixo:

Livraria Saraiva

Livraria Cultura 

 

Irmãs geniais

Além de Jane Austen, as irmãs Charlotte, Emily e Anne Brontë fazem muito sucesso entre os amantes da literatura inglesa. Com romances recheados de cenários belíssimos, dramas densos e personagens obscuros, as talentosas irmãs conquistaram seu lugar no grupo das grandes escritoras da Era Vitoriana.

As obras mais famosas de Charlotte e Emily, Jane Eyre e O Morro dos Ventos Uivantes respectivamente, ganharam belíssimas adaptações para o cinema.

Jane Eyre (2011)

jane_eyre_2011_1023x682_638694Filme protagonizado por Mia Wasikowska como Jane Eyre e Michael Fassbender como o Sr. Rochester. Conta a história de Jane que, após uma infância triste, resolve se tornar uma governanta. Ela aceita um emprego em Thornfield Hall, e lá conhece o misterioso e frio dono da casa, o Sr. Rochester. Aos poucos, eles se aproximam e Jane começa a sentir algo a mais pelo patrão. A jovem aproveita a recém-descoberta felicidade, mas os segredos de Rochester podem acabar com esse sentimento.

O Morro dos Ventos Uivantes (1992)

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A adaptação mais conhecida do livro, estrelado por Juliette Binoche e Ralph Fiennes nos papéis principais, o filme narra a história de Catherine Earnshaw, que no final do século XVIII, em uma área rural da Inglaterra, se apaixona pelo cigano Heathcliff, seu irmão adotivo. Criados juntos, eles são separados pela morte do pai de Catherine e a crueldade com que Hindley Earnshaw (Jeremy Northam), seu irmão, trata Heathcliff. Quando Heathcliff fica sabendo que ela vai se casar com Edgar Linton (Simon Sheperd), um homem rico e gentil, Heathcliff foge para fazer fortuna, ignorando o fato de que Catherine o ama.

O Morro dos Ventos Uivantes (2009)

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Em 2009, a emissora inglesa ITV estreou uma série dividida em duas partes, e que contava com Tom Hardy como Heathcliff e Charlotte Riley como Catherine Earnshaw.

As irmãs Brontë (1979)

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Um filme francês de André Téchiné, sobre a fascinante história das célebres irmãs escritoras, Emily, Charlotte e Anne Brontë. O elenco conta com algumas estrelas do cinema francês: Isabelle Adjani (A Rainha Margot), Isabelle Huppert (A Professora de Piano) e Marie-France Pisier (O Amor em Fuga). Na trama, Charlote relembra alguns episódios de sua vida com seu pai, o reverendo Brontë e com suas duas irmãs, Emily e Anne, assim como seu irmão Branwell, que era pintor. Enquanto as três irmãs escrevem seus romances e poemas, o irmão, apaixonado por uma mulher que se recusa a casar com ele, entrega-se ao álcool e às drogas.

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Para adquirir nossas obras das irmãs Brontë, visite os links abaixo

Livraria Cultura – Morro dos ventos uivantes

Livraria Cultura – Jane Eyre

Livraria Cultura – Agnes Grey

Saraiva – Morro dos ventos uivantes

Saraiva – Jane Eyre

Saraiva – Agnes Grey